O texto a seguir refere-se ao segundo capítulo do livro "Ele escolheu os cravos", de Max Lucado. O livro é simplesmente extraordinário! Recomendo-o.
O texto a seguir é um pouco extenso, mas recomendo: não pare por aqui. Leia. Vale a pena!
"Vou Suportar seu Lado Obscuro"
A PROMESSA DE DEUS ANTE O CUSPE DO SOLDADO
O que teria acontecido à Fera se a Bela não tivesse aparecido?
Você conhece a história. Houve um tempo em que seu rosto era bonito e seu palácio agradável. Mas isto foi antes da maldição, antes das trevas caírem sobre o castelo do príncipe. E, quando a escuridão tomou conta, ele sucumbiu. Recluso em seu castelo rebelde, com um focinho reluzente e grandes caninos.
Porém tudo mudou quando a mocinha chegou. Fico pensando, o que teria acontecido à Fera caso a Bela não tivesse aparecido?
Melhor ainda, o que teria acontecido caso ela não tivesse se importado? Quem a teria culpado? Ele era tão... digamos, animalesco! Pêlos longos. Babão. Frustrado. E ela era tão bela. Estonteante. Uma bondade contagiante. Se duas pessoas se encaixassem exatamente nesta descrição, não seriam elas exatamente a Bela e a Fera? Quem a teria culpado caso ela não tivesse se importado? Mas ela se importou.
E, porque a Bela amou a Fera, a Fera tornou-se linda.
A história é familiar, não apenas por tratar-se de um conto de fadas. É familiar porque nos faz lembrar de nós mesmos. Há uma fera dentro de cada um de nós.
Mas não foi sempre assim. Houve um tempo em que a face da humanidade era bela e o palácio agradável. Mas isto foi antes da maldição, antes das trevas caírem sobre o jardim de Adão. E, desde a maldição, temos sido diferentes. Animalescos. Feios. Rebeldes. Ferozes. Fazemos coisas que sabemos que não deveríamos ter feito e ficamos pensando por que as fizemos.
Minha parte feia certamente mostrou sua face animalesca certa noite. Eu estava dirigindo em uma pista dupla, que viria a tornar-se única. A mulher no carro ao lado do meu estava na pista que continuava. Eu estava na que terminava. Eu precisava estar à frente dela. Meus compromissos eram, sem dúvida, mais importantes que os dela. Além do mais, não sou eu importante? Não sou eu o mensageiro da compaixão. Um embaixador da paz?
Assim, acelerei o carro.
Adivinhe? Ela também. Quando minha pista terminou, ela estava um centímetro à minha frente. Aumentei os faróis, reduzi a velocidade e a deixei passar. Sobre seus ombros ela me acenou com um tchauzinho. Grrrrr.
Comecei a diminuir os faróis. Então fiz uma pausa. Minha parte sinistra disse: "Espere aí." Não fui chamado para ser luz nos lugares mais escuros? Iluminar as trevas?
Então coloquei um pouco mais de luz em seu retrovisor. Só para importunar.
Ela diminuiu a velocidade, em retaliação. Esta mulher era má.
Para ela pouco importava se toda a cidade de San Antonio estivesse atrasada; ela não iria ultrapassar a marca dos vinte e cinco quilômetros por hora. E eu não iria tirar o farol alto do seu espelho retrovisor. Como dois burros teimosos, ela continuava devagar e eu continuava com luz alta. Após mais pensamentos cruéis do que ouso confessar, a pista começou a alargar, então iniciei a ultrapassagem. Sabe o que aconteceu? O farol vermelho nos deixou lado a lado em um cruzamento. O que se segue contém boas e más notícias. A boa notícia é que ela acenou para mim. A má notícia é que não foi o tipo de gesto digno de imitação.
Algum tempo depois o pensamento me veio à tona: "Por que eu fiz isto?" Sou um cara tipicamente calmo, mas durante quinze minutos fui uma fera! Apenas dois fatos me confortaram: Primeiro, não tenho adesivo evangélico em meu carro, e segundo, o apóstolo Paulo passou por lutas similares. "Porque o que faço não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço" (Rm 7.15). Você já se sentiu nesta situação?
Em caso afirmativo, temos algo em comum. Paulo não é a única pessoa na Bíblia que travou uma luta com o lado animalesco interior. É raro encontrar uma página nas Escrituras em que um animal não mostre seus dentes. O rei Saul perseguiu o jovem Davi com sua lança. Siquém violentou Diná. Os irmãos de Diná (os filhos de Jacó) mataram Siquém e seus amigos. Ló negociou com Sodoma, depois saiu de lá. Herodes matou os primogênitos em Belém. Outro Herodes assassinou o primo de Jesus. Se a Bíblia é chamada de Bom Livro, não é pelos seus personagens. O sangue corre livremente através das histórias como a tinta através das penas que as escreveram. Mas o lado mau da fera nunca esteve tão aflorado como no dia da morte de Cristo.
A princípio, os discípulos ficaram anestesiados, depois rapidamente fugiram.
Herodes queria um show.
Pilatos queria livrar-se do problema. E os soldados? Eles queriam sangue.
Então açoitaram a Jesus. O chicote legendário consistia em tiras de couro com bolas de ferro em suas pontas. Seu objetivo era singular. Bater no acusado progressivamente até quase matá-lo, então parar. Trinta e nove chicotadas eram permitidas mas raramente necessárias. Um centurião monitorava o estado do prisioneiro. Sem dúvida Jesus estava próximo à morte quando suas mãos foram desamarradas e Ele caiu ao chão.
Chicotear foi a primeira ação dos soldados.
A crucificação foi a terceira. (Eu não pulei a segunda. Já vou chegar lá.) Embora suas costas estivessem machucadas pelas chicotadas, os soldados colocaram a cruz sobre os ombros de Jesus e o fizeram carregá-la até o monte da crucificação, onde o executaram.
Não culpamos os soldados por estes dois atos. Afinal, eles estavam apenas seguindo ordens. Mas difícil é compreender o que fizeram neste ínterim. Eis aqui a descrição de Mateus:
Então, soltou-lhes Barrabás e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
E logo os soldados do governador, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dele toda a coorte.
E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate. E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça e, em sua mão direita, uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus!
E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana e batiam-lhe com ela na cabeça.
E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado. (Mt 27.26-31)
A obrigação dos soldados era simples: Levar o Nazareno até o monte e matá-lo. Mas eles tinham outra idéia. Queriam se divertir primeiro. Fortes, descansados e armados, os soldados cercaram um carpinteiro galileu exausto e quase morto, e o atacaram. O açoite fora ordenado. A crucificação ordenada. Mas quem teria prazer em cuspir em um homem quase morto?
O ato de cuspir não tem a finalidade de machucar o corpo — de forma alguma. O ato de cuspir é a intenção de degradação da alma, e muito eficiente. O que os soldados estavam fazendo? Não estariam eles elevando-se a si próprios à custa de outra pessoa? Eles sentiram-se grandes ao humilhar Jesus.
Você já fez isto? Talvez nunca tenha cuspido em alguém, mas já fofocou? Caluniou? Você já levantou as mãos enfurecidas ou levantou os olhos com arrogância? Já colocou os faróis altos no retrovisor de algum carro? Já fez alguém se sentir mal para você se sentir bem?
Foi isto que os soldados fizeram a Jesus. Quando você e eu fazemos o mesmo, fazemos isto com Jesus também. "E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mt 25.40). A maneira como tratamos os outros é a mesma como tratamos a Jesus.
"Ei, Max, não gostei desta frase", você protesta. Creia-me, não gosto de dizer isto. Mas precisamos enfrentar o fato de que há algo animalesco dentro de cada um de nós, que nos obriga a fazer coisas que surpreende até a nós mesmos. Você já não surpreendeu a si mesmo? Já parou para refletir sobre alguma atitude e pensou: "O que deu em mim?"
A Bíblia possui uma resposta com seis letras para esta questão:
P-E-C-A-D-O. Existe algo ruim — animalesco — dentro de cada um de nós. "Éramos por natureza filhos da ira" (Ef 2.3). Não é que não possamos fazer o bem. Podemos. O fato é que não conseguimos evitar fazer o mal. Em termos teológicos, somos "totalmente depravados". Embora feitos à imagem e semelhança de Deus, temos caído. Somos corruptos ao máximo. O âmago de nosso ser é egoísta e perverso. Disse Davi: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51.5). Poderia alguém dentre nós dizer menos do que isto? Cada um de nós nasceu com tendência ao pecado. A depravação é condição universal. As Escrituras afirmam isto claramente:
Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho... (Is 53.6)
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17.9)
Não há um justo, nem um sequer... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.10,23)
Há quem possa discordar com tais palavras fortes. Eles olham ao redor e dizem: "Comparado aos outros, sou uma pessoa decente".
Note que um porco pode dizer algo similar. Ele pode comparar-se com seus companheiros e dizer: "Estou tão limpo quanto todos os outros". o entanto, quando comparado aos humanos, o porco precisa de ajuda. Comparados a Deus, nós, humanos, temos a mesma necessidade. O padrão de santidade não pode ser encontrado entre os porcos cochos da terra, mas no trono celestial. O próprio Deus é o padrão.
Somos as feras. O ensaísta francês Michel de Montaigne disse: "Não há homem tão bom que, ao submeter todos os seus pensamentos e atitudes às leis, não mereça ser enforcado dez vezes em sua vida."1 Nossas atitudes são feias. Nossas ações escabrosas. Não fazemos o que queremos, não gostamos do que fazemos, e o pior — sim, há algo pior — , não conseguimos mudar.
Tentamos... ah, como tentamos. Mas "Pode o etíope mudar sua pele ou o leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós podereis fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal" (Jr 13.23). O apóstolo concordou com o profeta: "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus realmente não" (Rm 8.7).
Ainda concorda? Ainda acha minha avaliação muito dura? Em caso afirmativo, aceite este desafio. Durante as próximas vinte e quatro horas, viva uma vida sem pecado. Não estou pedindo uma década ou ano perfeito, nem mesmo um mês. Apenas um dia perfeito. Você consegue? Você consegue viver sem pecar durante um dia?
Não? E uma hora? Você poderia prometer que nos próximos sessenta minutos terá apenas pensamentos e atitudes santas?
Ainda hesitante? E quanto aos próximos cinco minutos? Cinco minutos sem preocupações, raiva e vida sem egoísmo — você consegue?
Não? Nem eu.
Então temos um problema: Somos pecadores, e "o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23).
Temos um problema: Não somos santos, e a Bíblia nos adverte a "Seguir a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).
Temos um problema: Somos maus e "a obra do justo conduz à vida, as produções do ímpio, ao pecado" (Pv 10.16).
O que podemos fazer?
Permita que o cuspe dos soldados simbolizem a sujeira em seus corações. Então observe o que Jesus faz com esta sujeira. Ele a carregou até a cruz.
Através do profeta Ele disse, "não escondo a face dos que me afrontam e me cospem" (Is 50.6). Misturado a seu sangue e suor estava a essência de nosso pecado.
Deus poderia ter julgado de outra forma. No plano de Deus, se foi oferecido vinagre para sua garganta, porque não uma toalha para o seu rosto? Simão carregou a cruz para Jesus, mas não limpou o seu suor. Os anjos estavam presentes. Eles não poderiam ter desviado o cuspe?
Sim, mas Jesus nunca ordenou que eles o fizessem. Por algum motivo, aquEle que escolheu os cravos escolheu também a saliva. Junto com a lança e a esponja, Ele suportou a cuspidela do homem. Por quê? Seria por ter Ele visto o lado bonito da fera?
Mas a correlação com A Bela e a Fera termina. Na fábula, a bela beija a fera. Na bíblia, a Bela faz muito mais. Ela se torna fera para que a fera possa transformar-se em bela. Jesus muda de lugar conosco. Nós, assim como Adão, estávamos sob a maldição, mas "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós" (Gl 3.13).
E se a Bela não tivesse vindo? E se ela não tivesse se importado?
Então teríamos continuado como feras. Mas a Bela veio, e ela se importou.
AquEle que é sem pecado tomou forma de pecador para que nós, pecadores, pudéssemos nos tornar santos.
Excesso de saudosismo
Postado por
Ferro.
Parece exagero. Excesso de saudosismo.
Lembranças de um tempo em que fui, realmente, muito feliz e não há mais como voltar.
Não digo que nunca mais serei tão feliz quanto àquela época, mas essa afirmação é apenas uma constatação de um fato: o tempo não volta.
Não volta a infância entre os pés de manga, goiaba e outras frutas na casa da tia Deta. Infância regada à muitas brincadeiras, risadas, afetos, abraços e a presença de Zaqueu.
Os conflitos da adolescência, medos, dúvidas e as confissões difíceis, mas necessárias, também não voltarão. Adolescência que foi marcada pelo nascimento da mais pura, forte e singela amizade.
A partir de então, não era mais apenas a presença de Zaqueu, era a necessidade de se ter um ao outro. Questão de sobrevivência!
Não voltarão mais as 'pirações' juvenis, os momentos em que, até mesmo de forma inconsequente, 'aproveitamos a vida', fugimos, matamos aulas, viajamos, lanchamos, banhamos de chuva, escancaramos nosso amor através das palavras, gestos e constante companhia.
Era comum chegar em determinado lugar e ser, de súbito, indagado: 'cadê o Zaqueu?' e, ironicamente, respondia: 'nunca mais o vi'.
É... realmente acostumei-me mal. Não imaginava que um dia não me fariam mais aquela pergunta. Queria ouví-la novamente e responder como, muitas vezes, respondia: "faz tanto tempo que não vejo o Zaca; deve ter uns dois dias que não nos encontramos". A verdade é que dois dias longe um do outro era um martírio.
Mesmo se passássemos o dia inteiro juntos, à noite, quando chegávamos em nossas casas, corríamos para o PC e continuávamos o papo no MSN.
Parece exagero. Excesso de saudosismo.
Mas não é!
Há um pouco mais de três anos a história mudou tragicamente.
Acostumar a viver outra vida não é fácil.
Não sei se dá para acostumar-se a não viver uma amizade tão forte, verdadeira.
É impossível não sentir tanta falta de alguém que era presença certa.
Não dá para conter as lágrimas ao relembrar de uma vida feliz que foi vivida por dois, mas que, por uma infeliz circunstância, foi repartida ao meio.
Parece exagero. Excesso de saudosismo.
E é.
Uma amizade exageradamente singela. Excessivamente saudosa.
Inesquecível!
Lembranças de um tempo em que fui, realmente, muito feliz e não há mais como voltar.
Não digo que nunca mais serei tão feliz quanto àquela época, mas essa afirmação é apenas uma constatação de um fato: o tempo não volta.
Não volta a infância entre os pés de manga, goiaba e outras frutas na casa da tia Deta. Infância regada à muitas brincadeiras, risadas, afetos, abraços e a presença de Zaqueu.
Os conflitos da adolescência, medos, dúvidas e as confissões difíceis, mas necessárias, também não voltarão. Adolescência que foi marcada pelo nascimento da mais pura, forte e singela amizade.
A partir de então, não era mais apenas a presença de Zaqueu, era a necessidade de se ter um ao outro. Questão de sobrevivência!
Não voltarão mais as 'pirações' juvenis, os momentos em que, até mesmo de forma inconsequente, 'aproveitamos a vida', fugimos, matamos aulas, viajamos, lanchamos, banhamos de chuva, escancaramos nosso amor através das palavras, gestos e constante companhia.
Era comum chegar em determinado lugar e ser, de súbito, indagado: 'cadê o Zaqueu?' e, ironicamente, respondia: 'nunca mais o vi'.
É... realmente acostumei-me mal. Não imaginava que um dia não me fariam mais aquela pergunta. Queria ouví-la novamente e responder como, muitas vezes, respondia: "faz tanto tempo que não vejo o Zaca; deve ter uns dois dias que não nos encontramos". A verdade é que dois dias longe um do outro era um martírio.
Mesmo se passássemos o dia inteiro juntos, à noite, quando chegávamos em nossas casas, corríamos para o PC e continuávamos o papo no MSN.
Parece exagero. Excesso de saudosismo.
Mas não é!
Há um pouco mais de três anos a história mudou tragicamente.
Acostumar a viver outra vida não é fácil.
Não sei se dá para acostumar-se a não viver uma amizade tão forte, verdadeira.
É impossível não sentir tanta falta de alguém que era presença certa.
Não dá para conter as lágrimas ao relembrar de uma vida feliz que foi vivida por dois, mas que, por uma infeliz circunstância, foi repartida ao meio.
Parece exagero. Excesso de saudosismo.
E é.
Uma amizade exageradamente singela. Excessivamente saudosa.
Inesquecível!
Antes do amanhecer
Postado por
Ferro.
E há dias que são mais difíceis viver.
Como uma onda, as lembranças da infância vêm à tona, saudades dos abraços, despreocupação, vida vivida sem muita razão de ser.
Dos últimos anos, resta apenas memórias de uma vida feliz que, na verdade, nem era só felicidade. Acreditar que é amado e não ser, dói. dolorida ferida de amor.
E amor fere? Não. Pelo menos até não saber que é amor.
Há dias em que viver é tão duro; uma tarefa difícil, embora necessária.
A tristeza se torna sólida, palpável, de tão real que é.
Nesses dias, sentir falta do que não viveu é imprescindível!
Há uma vida que, de fato, vivemos e outra que pensamos ter vivido.
E essa outra vida é que nos faz tanta falta.
O mundo encantado, construído enquanto vivemos certos momentos, torna-se tão mais atraente do que a vida real.
Mas, encanto de mundo não rima com vida de verdade.
As palavras mágicas perdem espaço para palavras duras que, ironicamente, sempre começam com: "Não quero te fazer sofrer". É mesmo?
Há dias em que é difícil acordar, mas é necessário. Domingo é difícil.
Sábado é solidão. Noite que antecede a profunda tristeza.
Sábado é desabafo silencioso. (sons do teclado me acompanham. James ao ouvido grita: 'Melancolia!').
Coração, do lado de fora, pede esmola, mas pedir esmola em um mundo tão egoísta é perda de tempo. É melhor conformar-se com a invisibilidade de ser mendigo.
Coração, do lado de dentro, ainda é cego. Precisa curar-se. Óculos. Colírio. Outros olhos.
É, há dias difíceis.
Dias que são apenas noites.
Dias em que se espera ansioso pelo sol. Mar.
Dias que poderiam chegar antes mesmo do amanhecer.
Como uma onda, as lembranças da infância vêm à tona, saudades dos abraços, despreocupação, vida vivida sem muita razão de ser.
Dos últimos anos, resta apenas memórias de uma vida feliz que, na verdade, nem era só felicidade. Acreditar que é amado e não ser, dói. dolorida ferida de amor.
E amor fere? Não. Pelo menos até não saber que é amor.
Há dias em que viver é tão duro; uma tarefa difícil, embora necessária.
A tristeza se torna sólida, palpável, de tão real que é.
Nesses dias, sentir falta do que não viveu é imprescindível!
Há uma vida que, de fato, vivemos e outra que pensamos ter vivido.
E essa outra vida é que nos faz tanta falta.
O mundo encantado, construído enquanto vivemos certos momentos, torna-se tão mais atraente do que a vida real.
Mas, encanto de mundo não rima com vida de verdade.
As palavras mágicas perdem espaço para palavras duras que, ironicamente, sempre começam com: "Não quero te fazer sofrer". É mesmo?
Há dias em que é difícil acordar, mas é necessário. Domingo é difícil.
Sábado é solidão. Noite que antecede a profunda tristeza.
Sábado é desabafo silencioso. (sons do teclado me acompanham. James ao ouvido grita: 'Melancolia!').
Coração, do lado de fora, pede esmola, mas pedir esmola em um mundo tão egoísta é perda de tempo. É melhor conformar-se com a invisibilidade de ser mendigo.
Coração, do lado de dentro, ainda é cego. Precisa curar-se. Óculos. Colírio. Outros olhos.
É, há dias difíceis.
Dias que são apenas noites.
Dias em que se espera ansioso pelo sol. Mar.
Dias que poderiam chegar antes mesmo do amanhecer.
A primeira
Postado por
Ferro.
Era um domingo.
Não um domingo comum, como os outros.
Dia 31 de março de 1991, há exatos vinte anos atrás, uma família se alegrava com o nascimento de um bebê.
"É uma linda menina!", disse a enfermeira à sua mãe.
Olhando para sua filha, com lágrimas nos olhos, a recém mamãe enche-se de ternura e um afeto que não há no mundo o que possa comparar.
O pai da criança, impaciente e aflito, espera do lado de fora da sala de parto. "As duas estão bem. Parabéns, papai, você ganhou uma linda princesa".
O nome havia sido escolhido: Priscila!
Segundo alguns historiadores, o nome Priscila vem do latim e significa "velha, antiga", no sentido de "a primeira de todas", a que veio primeiro. Parece que nesse caso o nome casaria bem a essa pérola recém chegada: a primeira filha do casal Neemias Macário e Sonja Cristiane, primeira bisneta do Sr. Roldão Francisco, a primeira neta tanto dos avós paternos, João Macário e Mª das Neves, quanto dos avós maternos, Sr. Valdeci e D. Rita Emília Barbosa.
E, por fim, mas não menos importante, é minha primeira sobrinha.
(...pausa para respirar e suspirar...)
Sinceramente, revirei minha caixinha das lembranças e não encontrei o dia que a vi pela primeira vez infelizmente, mas, felizmente, na caixa das emoções não me faltaram recordação!
O dia em que tirou a foto, ainda bebê, na grama da Escola Caminho do Futuro eu estava lá com espectador.
Indo de bicicletinha junto com o irmãozinho para a Escola Reino da Criança; algumas vezes tive o prazer de acompanhar esse trajeto.
As incontáveis vezes que passou férias na minha casa, fins de semana, almoços, confraternizações, aniversários, casamentos, passeios, festividades natalinas, amigos-secretos.
As inúmeras vezes que vimos filmes, comemos pipoca, bebemos refrigerantes, jogamos conversa fora e conversa dentro, que ficarão marcadas e eternizadas no fundo da mente e do coração.
Como esquecer das muitas e muitas vezes que dormi em sua casa, sem nenhuma motivação maior a não ser o simples desejo de estar perto, olhar nos olhos, conversar, sentir que estava bem... ah... faltaria 'caracteres' para descrever em palavras todas as lembranças!
Não teria como escrever/descrever coisas que palavras não podem dimensionar:
"tio, tô com fome, não tem nada na geladeira"; algum tempo depois chego com um prato de 'cenoura refogada ao azeite de oliva com tiras de presunto e queijo' e um tempero especial, que a fazia gostar de tudo o quanto cozinhava: o amor (não, não estou falando de Sazon!).
Puro, simples, sublime e imensurável amor.
Vinte anos após àquele domingo, a pequena princesa, por determinação do tempo e da biologia, cresce e torna-se mais que 'a primeira' filha, neta, bisneta, sobrinha.
Hoje, não por ser seu aniversário, pois há alguns anos a vida a tem moldado de forma impressionante, Priscila Moura de Lima tornou-se um exemplo de que pode-se ser bela sem ser vulgar, ser adolescente sem perder o respeito pelos pais, ser jovem e ter maturidade para dar a volta por cima quando sabe-se que errou e, por fim, se tornar uma mulher extremamente linda, decidida, ousada, inteligente e não perder a essência.
Quanto a mim... bem, sou suspeito para falar, basta apenas dizer que nossa história de amor, mesmo sem eu saber, começou a exatamente vinte anos atrás.
Te amo, Priscila, do mais profundo do meu coração. Saibas que para mim você sempre será a pequena primeira que se tornou a mais fiel e grande amiga.
Não um domingo comum, como os outros.
Dia 31 de março de 1991, há exatos vinte anos atrás, uma família se alegrava com o nascimento de um bebê.
"É uma linda menina!", disse a enfermeira à sua mãe.
Olhando para sua filha, com lágrimas nos olhos, a recém mamãe enche-se de ternura e um afeto que não há no mundo o que possa comparar.
O pai da criança, impaciente e aflito, espera do lado de fora da sala de parto. "As duas estão bem. Parabéns, papai, você ganhou uma linda princesa".
O nome havia sido escolhido: Priscila!
Segundo alguns historiadores, o nome Priscila vem do latim e significa "velha, antiga", no sentido de "a primeira de todas", a que veio primeiro. Parece que nesse caso o nome casaria bem a essa pérola recém chegada: a primeira filha do casal Neemias Macário e Sonja Cristiane, primeira bisneta do Sr. Roldão Francisco, a primeira neta tanto dos avós paternos, João Macário e Mª das Neves, quanto dos avós maternos, Sr. Valdeci e D. Rita Emília Barbosa.
E, por fim, mas não menos importante, é minha primeira sobrinha.
(...pausa para respirar e suspirar...)
Sinceramente, revirei minha caixinha das lembranças e não encontrei o dia que a vi pela primeira vez infelizmente, mas, felizmente, na caixa das emoções não me faltaram recordação!
O dia em que tirou a foto, ainda bebê, na grama da Escola Caminho do Futuro eu estava lá com espectador.
Indo de bicicletinha junto com o irmãozinho para a Escola Reino da Criança; algumas vezes tive o prazer de acompanhar esse trajeto.
As incontáveis vezes que passou férias na minha casa, fins de semana, almoços, confraternizações, aniversários, casamentos, passeios, festividades natalinas, amigos-secretos.
As inúmeras vezes que vimos filmes, comemos pipoca, bebemos refrigerantes, jogamos conversa fora e conversa dentro, que ficarão marcadas e eternizadas no fundo da mente e do coração.
Como esquecer das muitas e muitas vezes que dormi em sua casa, sem nenhuma motivação maior a não ser o simples desejo de estar perto, olhar nos olhos, conversar, sentir que estava bem... ah... faltaria 'caracteres' para descrever em palavras todas as lembranças!
Não teria como escrever/descrever coisas que palavras não podem dimensionar:
"tio, tô com fome, não tem nada na geladeira"; algum tempo depois chego com um prato de 'cenoura refogada ao azeite de oliva com tiras de presunto e queijo' e um tempero especial, que a fazia gostar de tudo o quanto cozinhava: o amor (não, não estou falando de Sazon!).
Puro, simples, sublime e imensurável amor.
Vinte anos após àquele domingo, a pequena princesa, por determinação do tempo e da biologia, cresce e torna-se mais que 'a primeira' filha, neta, bisneta, sobrinha.
Hoje, não por ser seu aniversário, pois há alguns anos a vida a tem moldado de forma impressionante, Priscila Moura de Lima tornou-se um exemplo de que pode-se ser bela sem ser vulgar, ser adolescente sem perder o respeito pelos pais, ser jovem e ter maturidade para dar a volta por cima quando sabe-se que errou e, por fim, se tornar uma mulher extremamente linda, decidida, ousada, inteligente e não perder a essência.
Quanto a mim... bem, sou suspeito para falar, basta apenas dizer que nossa história de amor, mesmo sem eu saber, começou a exatamente vinte anos atrás.
Te amo, Priscila, do mais profundo do meu coração. Saibas que para mim você sempre será a pequena primeira que se tornou a mais fiel e grande amiga.
Tudo começa na caminhada...
Postado por
Ferro.
"Caminhar, principalmente para quem está iniciando um programa de atividades, é ideal para trabalhar a função cardiovascular, melhorando o nível de condicionamento físico; para ajudar na perda de peso e fortalecer os músculos" (fonte: www.cyberdiet.terra.com.br)
Era agosto de 2010. Pra ser mais exato, o segundo domingo do mês.
Pelos benefícios citados acima, estava fazendo, além de exercícios na academia, caminhada na pista que fica ao lado do aeroporto da minha cidade.
O domingo estava ensolarado, calmo, sem muita gente na pista. Perfeito para a pratica desta atividade física.
Quando cheguei em casa, senti vontade de visitar uma certa igreja da qual simpatizava muito: a Nova Aliança. Naquele fim de tarde não pensei muito, não deixei o corpo, fadigado, descansar. Banhei, me vesti e fui.
Sentei-me na arquibancada da igreja (na época, o templo localizava-se no Ginásio do Juçara Clube) e assisti ao culto, que estava agradável como sempre. Uma mensagem leve de um pastor visitante, sem muito 'apelo emocional', apenas as verdades bíblicas sendo pregadas e uma certa 'homenagem' ao Dia dos Pais.
Após a pregação, o Pr. Nonato, pastor geral da igreja, fez o convite para quem quisesse aceitar a Cristo naquela noite. Continuei sentado onde estava: sozinho, pensativo.
Ele insistiu e convidou alguém que quisesse 'reconciliar-se' com Cristo. Sem demora; racional e decididamente levantei, atravessei os corredores, me ajoelhei e entreguei-me de novo aos cuidados do Papai.
Naquele dia, não pensei muito sobre o que deveria deixar, sobre as dificuldade de se 'remar contra a maré' do 'mundo', do que teria de abrir mão, apenas me prostrei e disse a Deus o quanto tinha saudades Dele.
Chegando em casa, não teve como manter a mesma 'racionalidade' do culto. Abracei meu pai e, entre muitas lágrimas, disse: "Feliz Dia dos Pais. Tenho um presente pra você: voltei para os braços de Deus". Meu pai não entendeu muito as palavras, mas certamente compreendeu minhas lágrimas e, com muita alegria, me abraçou. Naquela noite, com toda certeza, ele dormiu bem leve, feliz.
Não sei se fisicamente a caminhada tem me feito bem, mas ela tem sido um ótimo exercício espiritual. Às vezes, quando saio de casa para caminhar, convido o Espírito Santo para caminhar comigo e o resultado é sempre extraordinário. Posso ainda não estar 'sarado', mas sei que essa caminhada vai render bons frutos.
Ainda não sei onde vou chegar, pois ao contrário da pista do aeroporto, a caminhada com Deus é dinâmica, o caminho nem sempre é familiar, conhecido, mas eu confio no meu personal trainer. Ele sabe qual melhor exercício pra mim.
A caminhada é longa, eu sei... Alguma coisa me diz que ainda estamos apenas começando.
Era agosto de 2010. Pra ser mais exato, o segundo domingo do mês.
Pelos benefícios citados acima, estava fazendo, além de exercícios na academia, caminhada na pista que fica ao lado do aeroporto da minha cidade.
O domingo estava ensolarado, calmo, sem muita gente na pista. Perfeito para a pratica desta atividade física.
Quando cheguei em casa, senti vontade de visitar uma certa igreja da qual simpatizava muito: a Nova Aliança. Naquele fim de tarde não pensei muito, não deixei o corpo, fadigado, descansar. Banhei, me vesti e fui.
Sentei-me na arquibancada da igreja (na época, o templo localizava-se no Ginásio do Juçara Clube) e assisti ao culto, que estava agradável como sempre. Uma mensagem leve de um pastor visitante, sem muito 'apelo emocional', apenas as verdades bíblicas sendo pregadas e uma certa 'homenagem' ao Dia dos Pais.
Após a pregação, o Pr. Nonato, pastor geral da igreja, fez o convite para quem quisesse aceitar a Cristo naquela noite. Continuei sentado onde estava: sozinho, pensativo.
Ele insistiu e convidou alguém que quisesse 'reconciliar-se' com Cristo. Sem demora; racional e decididamente levantei, atravessei os corredores, me ajoelhei e entreguei-me de novo aos cuidados do Papai.
Naquele dia, não pensei muito sobre o que deveria deixar, sobre as dificuldade de se 'remar contra a maré' do 'mundo', do que teria de abrir mão, apenas me prostrei e disse a Deus o quanto tinha saudades Dele.
Chegando em casa, não teve como manter a mesma 'racionalidade' do culto. Abracei meu pai e, entre muitas lágrimas, disse: "Feliz Dia dos Pais. Tenho um presente pra você: voltei para os braços de Deus". Meu pai não entendeu muito as palavras, mas certamente compreendeu minhas lágrimas e, com muita alegria, me abraçou. Naquela noite, com toda certeza, ele dormiu bem leve, feliz.
Não sei se fisicamente a caminhada tem me feito bem, mas ela tem sido um ótimo exercício espiritual. Às vezes, quando saio de casa para caminhar, convido o Espírito Santo para caminhar comigo e o resultado é sempre extraordinário. Posso ainda não estar 'sarado', mas sei que essa caminhada vai render bons frutos.
Ainda não sei onde vou chegar, pois ao contrário da pista do aeroporto, a caminhada com Deus é dinâmica, o caminho nem sempre é familiar, conhecido, mas eu confio no meu personal trainer. Ele sabe qual melhor exercício pra mim.
A caminhada é longa, eu sei... Alguma coisa me diz que ainda estamos apenas começando.
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